Se tem uma coisa que eu não aceito é essa mania que as pessoas tem de partir deixando as coisas pela metade. Aquele clichê de: "Começou, termina!", anda fazendo todo sentido por aqui.
Ninguém mais sabe deixa vir e ir. O tédio, a dúvida, a dor... Acontece e como tudo que vêm, se vai também.
Se permitam, deixem vir e ir. Esperem - talvez o tempo seja mais valioso do que imaginamos. Não se ache esperta(o) por ter ido "antes de algo bem pior acontecer". Você não sabe.
Não sabemos.
Deixe vir.
Deixe ir.
Deixe ser por inteiro.
Seja inteiro(a).
(Porque quando eu fico assim, neva.
Nevou tanto hoje pela manhã.)
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Deixa vir e ir.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Não sei bem o que é, mas quero que saiba que não estou comparando e que não quero voltar atrás, não é nada disso. Mas acho que existe isso de ficar marcada pelos relacionamentos que temos ao longo da vida - e acho que você sabe disso melhor do que eu. E nem tô falando de tristeza e decepção, dessas coisas mais complicadas que machucam e levam um tempão para cicatrizar. Eu tô falando é do costume, mesmo, com coisas banais como decidir onde ir ou qual filme assistir. Tanto tempo com a mesma pessoa acaba nos deixando acomodados, acostumados. A intimidade é tanta que as reações acabam sendo previsiveis. No meu antigo relacionamento, por exemplo, eu sabia que podia falar um sonoro não e ia ser não mesmo e pronto e acabou. Que ia ser do meu jeito, ou do dela, se assim quisessemos. Eu podia gritar, fazer escândalo, chorar por qualquer besteira e pedir desculpas que no máximo ela ia querer discutir a relação e ficar numa boa depois. Fiquei mimada, admito. Não estou falando que sinto falta, estou falando como quem tem certeza de que é difícil começar algo novo. Difícil porque intimidade é coisa que se constrói com o tempo, não se faz com meia dúzia de silêncios confortáveis e conversas sinceras. Difícil porque tudo que eu não consigo vislumbrar me dá um puta medo de fazer tudo dar errado. Difícil porque aprendi a me acostumar com alguém do jeito X e agora tô com alguém do jeito Y. Difícil porque tranco a louca-dramática-possessiva-insegura-chata e ela quase me rasga por dentro. Difícil porque eu sei que não faz sentido nenhum ficar brava por bobeira e mesmo assim me ardo inteira. Difícil porque eu tenho pavor de me acostumar tanto com você e com sua boca que daqui um mês ou dois pode me dizer 'não'. Difícil porque eu quero passar vinte e quatro horas do meu dia com você. E mais difícil ainda, porque eu sinto tudo isso, mas não tenho a menor vontade de parar o que a gente tá começando. Porque eu amo de você do jeito mais bonito que eu sei amar de alguém: Querendo o seu bem - e mais: Acima do meu. E eu sei que não vou te fazer bem agindo do jeito que agindo. E eu acho que tem tanta coisa linda, tipo isso que você consegue fazer de eu te colocar acima do que eu quero, do que eu espero. Lindo porque eu aprendo a não ser mimada e a aceitar e a compreender. Não quero sujar esse gostar com vicios de atitudes que não valem a pena e não têm sentido. Muito menos agir como uma idiota simplesmente por estar acostumada a agir assim. Você me faz querer ser alguém melhor - e embora eu goste mais de você do que eu aparento gostar -, esse é um dos motivos (egoísta, eu sei) para eu amar você: eu amo quem eu sou quando tô perto de você.
Conto até dez, respiro, e tomo outra xicara de chá. Vou dormir pensando em como é bom te fazer de travesseirinho e ouvir sua respiração.
domingo, 6 de dezembro de 2009
"- Eu queria tanto te entender, Ed. Eu queria tanto saber o que houve com você, conosco.
- São os instintos, Nena.
- O de auto-preservação e o de auto-destruição?
- É.
- Ed, isso é doentio.
- A natureza é, nós dois também. Nós nos preservamos tanto, Nena, nos cuidamos tanto... E tudo isso só para termos o que destruir depois. E nós estamos nos destruindo porque já nos preservamos demais. E eu sei que você concorda comigo.
- Você me lê como se leria um livro bobo, Ed.
- Não adianta tentar fugir, Nena. Isso vai acontecer agora, ou quando você virar a esquina amanhã e se deparar comigo trepando com outra. Você não cansa?
- De você e das suas loucuras? Porque se for disso, eu me canso.
- Não, Nena. Você não cansa de correr da verdade? De correr do inferno?
- Eu não sou uma fujona. E eu não corro da verdade.
- Então porque não aceita que nosso relacionamento acabou? Não adianta fugir disso e vir aqui, conversar comigo sobre o que nem sentido tem mais: Essas coisas não vão voltar, deixe o presente te alcançar.
- Ed, você me perguntou se eu não canso de correr do inferno e olhando pra você agora, patético, com medo de se relacionar eu quero te dizer que não, eu não corro do inferno. O diabo que eu tanto temia, eu vejo agora todo dia. É só olhar pra você."
domingo, 15 de novembro de 2009
Você, mais do que ninguém, sabe como eu fujo de sentimentos clichês. Não gosto da paixão, nem do medo, muito menos das saudades. Evito despedidas e reencontros muito emocionais. Você já me viu chorar; eu fico vermelha e estranha. Eu borro a maquiagem e as riscas pretas escorrem meu rosto. Pareço um pintura abstrata que não quis ser estéticamente aceitável.
Você, mais do que ninguém, me conhece. Sabe como eu sou romântica, boba, chorona e mansa.
Aprendemos juntas a lidar com a distância. Chegamos num ponto de entender a necessidade de silêncio uma da outra. Eu aprendi seus filmes preferidos e você os meus, eu descobri que podia te ligar às duas da manhã e você descobriu que as palavras de 'estou aqui pra você, sempre' eram mais reais do que imaginava.
A gente se conheceu e ponto. Não nos escondíamos por trás de roupas e não afastávamos olhares como quem protege o coração de mais decepções. Nós sempre quisemos sentir. E sentíamos tanto que escorria pela face todo o nosso sentimento.
Me lembro que eu sempre precisei falar demais pra esconder a falta de ter a quem dizer e você me ouviu. E me ouviu por mais três longos anos, sendo minha fuga num lugar com tanta gente e tão pouca afinidade. Você é minha fuga. É minha maior confiança.
Mas agora você vai embora. Não para sempre, mas para longe. E eu vou ficar sozinha sentindo a sua falta, sem apoio.
Não é fácil encontrar uma amiga como você, então imagina como é difícil te perder?
Sempre defendi a tese de que a distância não é o suficiente para separar uma amizade, um amor. Você é minha melhor amiga, nada vai mudar isso.
Espero que você veja em mim o que eu sempre vejo em você: A eterna companhia da minha vida.
E sim, eu já estou cheia de saudades.
Lights will guide to home
And ignite your bones
And I will try to fix you
/ Quando eu te liguei para que você olhasse o blog, você deu aquela gargalhada no telefone e disse que eu não fazia sentido nenhum e que mesmo assim me amava muito.
Ter sentido, pra mim, é muito limitado.
E eu também te amo muito, parzinho.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
o imperfeito não participa do passado.
Antigamente eu passava horas conversando com a véia sobre o passado e sobre como ela conseguiu chegar até aqui. Eu era uma pirralha de quatorze, quinze anos, mas já tinha consciência de que hoje em dia as coisas são muito mais fáceis. E ninguém dá valor - não estou me retirando dessa lista dos que não dão valor, mas me coloco firmemente na lista dos que tem consciência disso.
Eu lembro de uma vez que passei a tarde pensando e cheguei a milhares de conclusões loucas - e verídicas.
Minha mãe conheceu meu pai quando já não era tão nova, já trabalhava e não só se sustentava como também sustentava todos os seus oito irmãos e a minha avó. Meu pai era trabalhador demais, e os dois se uniram, compraram uma casa, depois outra, depois um bar, um carro e, finalmente, compraram um tratamento para que minha mãe pudesse engravidar. Mesmo casada, mesmo me carregando em sua barriga minha mãe continuou ajudando a família. E ajuda até hoje.
Claro que eu não nasci na temporada de espinhos e que meu nascimento foi cheio de flores. Não éramos ricos, claro, mas nunca passei fome e nem vontade de nada.
Quando meu pai faleceu, eu tinha cinco anos, e não entendia porra nenhuma do que estava acontecendo. Minha mãe fechou o bar que eles haviam construído com muito suor e continuo sendo a mulher corajosa e sem preguiça nenhuma de trabalhar que sempre foi. E foi crescendo profissionalmente, enquanto me fazia crescer também.
Tive uma babá que é minha bá até hoje, e tenho uma madrinha desvairada que me atazana (e eu amo muito) desde que eu nasci.
Por ser filha única sempre fui meio mimada, mas sempre dei muito mais valor nas pessoas e nos sentimentos do que em qualquer bem material. Falo isso porque quando meu pai faleceu eu aprendi que nem todos os chocolates do mundo aliviariam aquela dor. E eu tinha CINCO ANOS!
Depois disso, claro, foi barra: Minha mãe trabalhando loucamente para conseguir dar tudo que eu precisava, para me colocar em boas escolas, para pagar meu inglês e me dar uma boa educação... Todo esse trampo fez dela uma mulher muito distante. E muito forte.
E ainda assim eu prezava muito mais dormir abraçada com ela do que acordar de manhã com minha cama abarrotada de presentes. E eu acredito que tem que ser assim, não só olhar os presentes, mas pensar em como eles foram parar ali, porque eles foram parar ali, sabe?
E eu morro de orgulho da minha mãe e da minha família. E morro de amor por todos eles também.
E fico indignada ao ver como as coisas são fáceis hoje em dia - fáceis e sem valor. Nenhum dos jovens que eu conheço passam por isso, de ter que ajudar a família, de ter que trabalhar e ainda assim todos eles reclamam. Nunca vi nenhum amigo meu dizendo que o pai, ou a mãe, é incrivelmente fóda. Agora me pergunte se eu já escutei eles dizendo isso de alguma dessas bandinhas da moda? Não preciso nem responder, né.
Daí que eu fiquei pensando hoje em quantas dessas histórias existem por aí. Essa mesma geração dos meus pais (e provavelmente dos seus também) se ferrou, eles passaram pelas maiores mudanças. Nós não, nascemos e crescemos em um mundo um pouco mais tranquilo, onde não é preciso lutar tanto. Porque eles lutaram por nós.
Só que na minha sincera e afetuosa opinião, isso fodeu com muitos de nós. Eu não me sinto digna de ganhar MIL presentes sem fazer por merecer. Muita gente que eu conheço exige isso, mesmo sem ter conquistado porra nenhuma. Tem gente que acha normal, eu não. Para você ter uma coisa, você tem que conquista-la, caso contrário ela não é tua. É como morar sozinha, você tem que pagar o aluguel se quiser isso. E isso tudo é um trampo do caralho, e se hoje em dia é assim, imagina como era antigamente? Muito mais fóda, claro.
Então depois de conversar com a véia eu resolvi parar de reclamar da vida e desde então tô sorrindo para ela. As pessoas já passaram por tantas coisas ruins, já superaram tantas outras, quem sou eu para achar que não consigo?
Eaí confirmei tudo isso quando saí na rua e vi um cara, nesse sol infernal, se arrastando em uma cadeira de rodas. E sorrindo.
...É como eu disse:
Quem sou eu para reclamar e desistir das coisas que eu quero?
Quem é você?
Acordem, a vida é DEMAIS. É só enfiar a cara.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
"Inexperiência e esperar, esperança de amar".
A moça acordou e foi comprar papel de carta, viu uma maquina fotográfica e resolveu que também ia comprar, queria registrar na alma o dia em que decidiu ser feliz. Ela sabia desde que abriu os olhos na manhã que aquele era o fim, e que não doia mais. Finalmente o tempo de espera e depressão-pós-relacionamento havia acabado. A moça chegou em casa, se olhou espelho e se perguntou pela milésima vez onde havia errado, e se sentiu tão ridícula por fazer uma pergunta tão clichê da fase de depressão-pós-relacionamento. Ela sabia onde havia errado, mas tentava encobrir toda a sua insegurança e todas as vezes em que demonstrou ela. Tentou encobrir todas as vezes em que expos sua alma nua para ela. Ela chorou lágrimas salgadas sem explicação. Lágrimas que tiravam o peso de uma tonelada do coração dela. O vazio de dentro do peito foi passando e entrou uma sensação em seguida de que tudo ia ficar bem, então resolveu escrever uma dessas cartas de depressão-pós-relacionamento. Então ela se sentou e se vestiu de palavras que não eram de mais ninguém. Só dela. E então conseguiu escrever a carta mais cheia de medo, mania, beijo e acima de tudo amor de toda sua vida. Era isso que aquele carta era: Parte da sua vida.
Então imaginou a carta chegando, ela abrindo-a e vendo novamento toda sua alma nua, exposta e sem medo. Porque ela não tinha receio de amar e errar, e talvez esse tenha sido seu maior erro.
Fazia quanto tempo? Sete meses, talvez.
"Tentei te esquecer, te tirar do fundo da minha alma, mas não posso e na verdade, eu nunca quis. E nossa história acabou antes de um ponto final, você sabe o quanto eu ligo para virgulas e pontos. Doeu não ver o nosso, acho que por isso demorei tanto para compreender o que havia acontecido. Nossa história evaporou, como uma dessas chuvas fininha de verão.
Sabe, acredito que você é uma dessas pessoas que não nasceram para ficar. Existem pessoas assim, não existem? Dessas que não conseguem ser permanentes. Você é uma marinheira em um porto, quando eu te encontrei você me contou tantas histórias lindas envolvendo sereias e cantos que eu não consegui enxergar que uma hora ou outra, você ia partir para outro porto, para contar outras histórias. Você foi embora e levou o meu amor junto com você até o próximo cais. Foi aí que começou a tempestade, porque eu te vejo assim de vez em quando, como uma tempestade que mudou minha vida completamente. Toda aquela intensidade não iria me deixar ser a mesma nunca mais. Você me fez descobrir uma moça fina que havia aqui dentro, uma moça que as vezes diz coisas inteligentes e adora ser protegida. Me fez ver que às vezes a gente tem que parar de se preocupar e se perguntar o tempo todo. Eu estou levando uma vida muito mais fácil depois de você, não me questiono mais por tudo e quando acontece, penso com carinho em você que me fez descobrir tanta, mas tanta coisa. Como aquele azul que eu achava sem graça e você me contou dele de um jeito tão lindo que hoje em dia tudo é mais blue na minha vida. E um blue tão cheio de graça e beleza. Você me mostrou que o azul faz a gente querer voar alto. Mas então você voou daqui. E eu não entendia o porque de você ter ido me deixando com tantas coisas. Tantas coisas bonitas que eu preciso dividir com alguém. E é por isso que escrevo: Para por um ponto final e poder seguir em frente, em outra folha, para poder mostrar o azul para outras também. As coisas tinham mesmo que ser assim. E a vida aprontando poucas e boas enquanto eu olhava para dentro, te procurando. Meus olhos faiscando de caprichos e inseguranças. Errei com você por não te agradecer, não foi? Claro que eu queria mais do que tudo que aquelas promessas fossem reais, e é claro que foi puro egoísmo e ignorância. Nós não buscávamos as mesmas coisas, tínhamos mundo diferentes e sonhos construídos sob alguns bons quilômetros de distância. Minha infantilidade de não saber falar na hora certa hoje em dia me faz perguntar por que a gente nunca diz o que tem de ser dito, por que a gente sempre fala mais do que devia, por que as palavras nem sempre são nossas amigas inseparáveis, por que você calou quando tudo o que eu precisava era de um pouco de diálogo. Por quê? São tantas coisas.... Mas a verdade é que simplesmente usamos o silêncio como o ponto final, só que ele era tão grande que fez três, tornando então tudo uma história não terminada. Malditas reticencias.
Nossas linguas soltas que não falavam, mas beijavam. Meu corpo colado no teu e eu sentindo tudo aquilo são coisas que eu não vou - e nem quero - esquecer. Cansei dessa bagunça e guardei tudo que tinha você em uma caixinha, lá no fundo do meu coração. Estou voltando atrás e abrindo a vida, estou reencontrando o dia em que podíamos conversar. Claro que faltou tempo, espaço e maturidade. Só não me faltou coragem para ser boba. Porque a gente sempre fica bobo quando deixa a boca falar do que está cheio o coração. E então ao invez de falar eu engolia músicas românticas, e tinha medo de lembrar da princesa marinheira que tinha ido para outro porto. Se um dia você aparecer novamente vou te abraçar e dizer o quanto seus olhos brilham e o quanto você me ensinou. Você faz falta porque levou um pedaço meu contigo, mas não foi tão ruim porque eu tive que me reconstruir e então passei a ver as coisas de um jeito diferente, de um jeito estrela do mar, de um jeito cheio de jeitos para a beleza se completar. E eu digo estrela do mar porque elas perdem os braços e ficam novinhas novamente. E você me ensinou a ser assim, me ensinou que eu consigo ficar nova em folha e que eu consigo ser tão (ou mais?) bela como antes. E para isso eu preciso colocar o ponto final que faltou. O mundo dá tantas voltas que me deixa zonza, então resolvi sair da toca e pronto: Estou me sentindo melhor. Já agradeci por isso? Por aprender a resolver minhas dores do trabalho, dos sonhos que ficaram para trás e dos "amores-reticências". Desculpa desenterrar tudo isso, mas eu precisava ter certeza que esse passado vai fazer parte do meu futuro. Essa vida tem coisas engraçadas, né? Tudo que foi ainda é. E ninguém entende nada. E há de se rir nas horas certas pra chorar com mais leveza quando o sr. coração resolver adoecer. Bem... esse é o meu ponto final totalmente sem mágoa. E cheio de carinho.
P.S.: Você me disse que eu era a formiga mais bela que você já havia visto na vida, e disse que eu não deveria ter medo das cigarras, folhas, inverno ou afins. Estou bem. Fica bem também.
Quando a moça estrela do mar colocou a carta no correio, sentiu o amor correndo em suas veias. Quanto tempo perdido enquanto ela adiava por esse ponto. Quanto tempo perdido enquanto ela adiava ser o que era. Lembrou-se então da camera e tirou uma foto de seus pés, para se lembrar de não parar nunca, de sempre seguir em frente. Sentiu tanta felicidade que pensou que um dia encontraria outros pés para seguir com ela. O mundo é doce.
E as moças também, apesar de serem confusas.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Ela era linda. De todas as mulheres que já vi na vida, ela era a mais linda. Sorria com uns olhos que tinham um brilho parecido com o da lua. Ela tinha cheiro de flor e um cabelo meio agroselhado. O beijo tinha gosto de amora. Quando eu a vi pela primeira vez senti vontade de lhe comprar um anel e uma praia.
No reflexo dos seus óculos pareço uma flor em um caleidoscópio. Uma flor com brinco de pérola e saia rodada. Dentro dos seus olhos que sorriem, chovem todas as estrelas cadentes, e então eu fico te olhando e pedindo para não te perder. Não assim, sem nem chegar a ter.
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(Alguém topa fazer a melodia de uma música que eu compus?)
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Isso de primeira vez é algo tão complicado. É sempre a primeira vez, porque é sempre diferente. Sempre estamos tão desesperados para encontrar algo/alguém que preencha esse buraco que existe entre o nada e o que não existe em nós e buscamos - desesperadamente - por aí. E é desesperado porque quando acontece ninguém esperava nada. Não espera - desespera então...
Depois da primeira e unica vez tudo me conduz apenas para aquele momento.
Às vezes quando estou sozinha, no escuro do meu quarto, fumando meu marlboro light me pergunto como pude mergulhar nisso - eu sei que adoro profundezas, mas não gosto de escuridão, e me sinto alone in the darkness nesse oceano em que mergulhei mesmo vendo a plaquinha de: "Profundo, só entre caso saiba nadar". E eu sei nadar, mas nesse escuro em que me coloquei por você eu me vejo tão confusa que prefiro ficar parada, quietinha: Sem pedir ajuda e sem saber para onde ir.
E eu não resisti a você. Não que eu devesse ter resistido, não que eu me arrependa ou ache tudo miseravelmente terrível, mas é que isso vai me marcar profundamente e talvez até me dilacere, mas eu não sei - a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que aconteceu. Porque alguma coisa aconteceu. E foi essa coisa que me levou há pouco até a janela e me fez acender dez cigarros só nessa manhã.
E é disso que eu quero falar: Dessas vontades que você me causa, desses sentimentos desesperados que eu espero a tanto tempo.
E a ordem cronológica disso é tão louca, porque primeiro nos odiamos e depois nos conhecemos - e a maneira como nos conhecemos se desenrolou até chegar no ponto que eu confesso que queria. E que era o fim, embora até hoje eu me pergunte se realmente chegou a acontecer alguma coisa para existir de fato esse final.
Durante todo esse tempo que passou, a unica que eu saiba é que você estava viva curtindo o mesmo clima que eu: Essas temperaturas tão loucas quanto o que aconteceu
conosco.
É natural eu me sentir assim em relação a isso? Isso que eu nem sequer esperava e se construiu em forma de surpresa e beijo doce para te receber?
Eu sabia o tempo todo que acabaria assim - assim como sabia que você vinha completamente em branco para qualquer palavra que fosse dita ou qualquer ato que fosse feito. E muitas vezes, nada era dito ou feito, e não nos frustrávamos porque não esperávamos mesmo, realmente, nada. Disso eu sabia o tempo todo.
Além disso, não quero e nem consigo lembrar de mais nada - embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe. O legal - e foda - disso tudo é que eu consigo perceber perfeitamente quando uma história deixa de existir, e é por isso que estou escrevendo esse texto: Porque em algum lugar essa história louca tem que existir para sempre - mesmo que mais da metade dela seja feita de imaginação.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Eu quase não te amo mais, eu quase te odeio, eu quase não sinto ciúmes daquelas garotas que andam pra lá e pra cá com você, todas elas penduradas no seu pescoço.
Eu quase não te procuro, eu quase rasgo nossas fotos, eu quase apago seu número, eu quase me arrependo.
Eu quase não escrevo isso.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Eles.
O sol que entrava pela janela trazia uma cor amarelada, como em um filme antigo. Com aquela luz aquele quarto com piso de madeira se transformava e parecia tudo, menos uma cabana velha que cheira a cigarro barato e suor.
Ele ergueu as sobrancelhas, apagou o cigarro e disse: - Tu sabe como é, tem sempre gente espiando a vida alheia, temos que ser mais cautelosos.
- É, eu sei, mas sabe que não me importo?
- Sei, contigo é aquela coisa de mãos nos bolsos, cigarro aceso...
- Isso mesmo. Tudo é questão de momento.
- Você nunca me deixa terminar uma frase, mas mesmo assim dá a resposta correta. Me diz agora sabichão, o que você acha que possui?
- Minha casa, meus filhos, você...
- Eu tô falando que você não entende nada, porra, nada disso é seu. Nem eu sou. A unica coisa que você possui é o que você já viveu. Seu passado. O que já foi seu e vai continuar sendo, mesmo que só em memória.
- Eu entendo isso, e por isso digo: Meus filhos, você...
- É diferente.
- Tudo é a mesma coisa. Muito sentimento. Eu digo que são vocês porque a unica coisa que tenho é o amor.
- Tu não pode comparar o que sente por seus filhos e por mim.
- É amor, o seu é mais carnal, mas é amor do mesmo jeito. Me preocupo com você, meu menino. Te quero comigo sempre. E o mesmo é com eles... Você não entende porque é novo demais.
- O que você não entende dessa caralhada toda, heim? Tá doido? Você não vai pra cama com eles.
- Eu sei que não... Mas é amor.
- Você é cabeça dura, teimoso, não adianta tentar conversar com você. Eu só quis dizer que nós temos que tomar cuidado, entende? Que eu quero que o nosso momento continue. Quero te possuir e quero que me possua, mas as pessoas não entendem isso e eu acho que...
Em um movimento rápido ele o beijou sem deixar que ele terminasse a frase. Não havia necessidade, já sabia aquele discurso inteiro, e sabia porque se via no menino. Quando o beijo terminou o sol não estava mais produzindo aquele efeito cinematográfico amarelado, agora era só uma cabana velha que cheira a cigarro barato e suor, mas isso não o impediu de tornar aquele momento uma das unicas coisas que, conforme o passar do tempo, ele vai possuir. Olhou nos olhos do garoto e soltou em um suspiro as três palavras mais difíceis de sua vida: - Eu te amo. O beijou novamente.
O rapaz sentiu naquele beijo o gosto de todo o amor do mundo. Um gosto que nem um milhão de palavras poderiam traduzir. Os corpo rijos entrelaçados, coxa com coxa, calor de um corpo contra o outro, o sol se pondo e um beijo com sabor de amor, em uma cabana velha que cheira a cigarro barato e suor cansado de sexo. Aconteceu novamente com olhos nos olhos, cabana velha, sol se pondo e medo. - Eu também te amo.
Ma.
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Gente, acho que todo mundo sabe que esse é um blog de, digamos, textos-bóias. Eles me salvam do mar que eu mergulho e afundo, quase me afogando. Algumas coisas são veridicas, outras não, mas o fato não é esse, o fato é que eu estou criando um outro blog, o http://freedom-insilence.blogspot.com/, quando vocês clicarem em meus comentários nos seus respectivos blogs, ele vai aparecer, então quem quiser clicar nele e comentar pode ficar a vontade, mas aviso que não vai ter nada de interessante, vai ser só meu dia, só minha vida - não serão textos, serão, como direi? Depoimentos. :P Vai ser um diário pessoal - pronto, me expliquei bem agora. Então, quando eu comentar no de vocês, cliquem na carinha feliz - que esconde esse amontoado de textos loucos e desvairados, que vocês chegarão aqui, nesse blog, que é como o próprio titulo já diz, meu analgésico, ok?
Pronto, recado dado (com pouquissíma eficiencia, mas me perdoem, sou aquariana nata, logo, sou péssima para explicações... :P)
Beijos!
